Clube de Mães Maria Nazaré

18 Apr, 2013

Clube de Mães Maria Nazaré

Clube promove geração de renda e valorização do saber local

Fundado em 1999, o Clube de Mães Maria de Nazaré é formado por mulheres ribeirinhas e agricultoras da comunidade São Sebastião, do rio Cuieiras, afluente da margem esquerda do rio Negro, na área rural de Manaus. O grupo promove trocas de conhecimentos e experiências entre seus membros e outros grupos, sobre produção de doces, organiza eventos comunitários e cria alternativas de geração de renda para suas famílias por meio das suas atividades e produção. O nome “Maria de Nazaré” é uma homenagem a umas das primeiras moradas da localidade. A parceria IPÊ e Fundo Vale, apoia a iniciativa.

Para fabricar seus produtos e alimentos, as mulheres do clube de mães  beneficiam frutas regionais retiradas  principalmente dos roçados e quintais da região, como cupuaçu, cubiu, abacaxi, açaí, castanha, coco, tucumã. “Nós conseguimos aqui mesmo na região a maioria das frutas usadas para fazer nossos doces. Elas vem das nossas roças ou de outros produtores locais”, informa Francisca Vieira, uma das mais antigas no clube. O resultado são produtos como doces, geleias, biscoitos e balas muito apreciadas regionalmente e nacionalmente.

A maioria das mulheres são agricultoras, donas de casa e não possuem renda fixa. De acordo com Francimar Alves, a produção do clube é uma grande ajuda na complementação da renda familiar. “Além de eu aprender muito com todas que estão no clube, eu consigo tirar um dinheiro para ajudar nas despesas de casa”, afirma.

Fruto de um trabalho em conjunto

img_0855-small

Geléia de cupuaçú, mais uma das delícias produzidas pelo Clube de Mães.

Entretanto, o sucesso e a consolidação do clube não foi tão rápido assim. O clube passou por muitas dificuldades e se desmobilizou.  A partir de 2008, iniciou  uma parceria com IPÊ por meio do projeto Sociobiodiversidade, que fortaleceu a organização, produção e comercialização do grupo através de ações como: mobilização, associativismo e capacitação.

E como fruto desse trabalho conjunto, nos últimos anos, o clube vem participando de eventos importantes que incentivam o aprendizado e trocas de conhecimento com outros grupos de mulheres. Como exemplo, o Clube de Mães Maria de Nazaré já realizou intercâmbio com o grupo de mulheres da comunidade Julião, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé que possui bastante experiência na produção de doces, geleias e biscoitos.

Além destas iniciativas, há grupos de mulheres que produzem doces nas comunidades Bela Vista do Jaraqui e Pagodão. Nesta a produção iniciou a partir de uma oficina com o clube de mães.

Outro grande momento foi a participação do clube na Feira Nacional de Agricultura Familiar, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Incra. A feira é considera o maior evento de agricultura familiar da América Latina e desde 2009, o clube vem marcando presença anualmente nesse espaço de grande divulgação. Na feira, o clube faz contato com pessoas do Brasil inteiro interessadas não somente nos produtos, mas também na cultura e na vida das mulheres de São Sebastião. “As pessoas perguntavam sobre as frutas, que sabor possuem. Eles confundiam o cubiu com o tomate, mas aí explicávamos que o cubiu é diferente e tem sabor muito azedo. Também queriam saber sobre o Amazonas, nossa cultura e como é nossa vida na comunidade”, informa Cristiane de Souza.

mg_7758-small

Integrantes do Clube de Mãe Maria Nazaré

O evento também proporciona o contato do clube com outros grupos de agricultores e produtores de diversas partes do Brasil. “A realidade dos outros produtores é muito parecida com a nossa, eles têm as mesmas dificuldades e as mesmas vitórias, só muda a região. Assim como nós, existem outras pessoas fazendo doces, mas com frutas diferentes. Provamos os produtos de gente do Sul do Brasil, como geleias de morango, pêssego, maçã, que são frutas que só existe tem por lá”, lembrou Inês Vieira.

São iniciativas locais como a do Clube de Mães Maria de Nazaré que vinculam os produtos da agricultura familiar e todo o rico conjunto de saberes, sabores e práticas agroecológicas à geração de renda, promoção da soberania alimentar e conservação da agrobiodiversidade. Ao mesmo tempo, o grupo também é um exemplo de incentivo ao associativismo e protagonismo das mulheres ribeirinhas como mulheres empreendedoras. “Queremos continuar crescendo e futuramente trabalhar com novos produtos, como as frutas desidratadas, por exemplo. Queremos adquirir novos equipamentos, investir em novos cursos, aprender novas técnicas e quem sabe criar uma cooperativa”, afirma Inês Vieira, sobre os planos para o futuro.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>