I Curso de Criação Agroecológica de Aves do Estado do Amazonas

8 Dec, 2014

I Curso de Criação Agroecológica de Aves do Estado do Amazonas

A Rede Maniva de Agroecologia do Amazonas (REMA), da qual IPÊ é membro, realizou o I Curso de Criação Agroecológica de Aves do Estado do Amazonas. A atividade reuniu em torno de 40 participantes, entre agricultores, estudantes, técnicos e instrutores.

O objetivo foi passar aos participantes conceitos teóricos, reflexões e vivências práticas sobre a criação orgânica de galinhas de postura e de corte dentro dos preceitos da legislação brasileira de orgânicos e dos princípios da agroecologia com a finalidade de estimular e otimizar o manejo, o beneficiamento e a comercialização agroecológica de ovos e aves.

A capacitação é uma demanda antiga dos agricultores agroecológicos e envolveu produtores da Rede Tucumã do Rio Negro e dos assentamentos Água Branca e Tarumã Mirim. Um dos principais desafios para a transição agroecológica da produção de aves é o fornecimento de rações adequadas de origem orgânica e produzidas preferencialmente na propriedade com o aproveitamento de resíduos.

Outro importante fator limitante que precisa também ser superado para que haja melhoria da rentabilidade dos agricultores e da soberania alimentar dos consumidores é a comercialização de frangos abatidos e para que isto seja possível seriam necessários conhecimentos sobre metodologias e boas práticas de abate assim como a construção de um abatedor para aves orgânicas.

A capacitação aconteceu em dois módulos, durante seis dias no total (17 a 19 e 24 a 26 de novembro) e de forma itinerante, em locais como o Centro de Treinamento Agroflorestal (CTA) do Museu da Amazônia (MUSA), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) e EARA.

Ministrado por diversos instrutores, a capacitação envolveu de forma dinâmica teoria, prática, troca de conhecimentos e experiências, e visitas as áreas de criação de aves em propriedades de agricultores e na EARA. Houve, ainda, uma visita a uma fabriqueta de ração e criação agroecológica de galinhas, na Estrada de Balbina.

O conteúdo passado abordou os princípios e paradigmas da criação agroecológica de animais, introdução à ecologia e ao comportamento de aves, anatomia e fisiologia de aves, aspectos gerais da saúde e do bem estar animal, manejo alimentar, manejo da coleta de ovos e cuidados na postura e legislação da avicultura orgânica e dos sistemas participativos de conformidade da produção de orgânicos no Brasil. .

O encerramento se deu com a mesa redonda “Políticas Públicas e Organização associativa para a comercialização de galinhas orgânicas – reflexões e proposituras”, que contou com a participação de representantes da SEPROR, INCRA, ADAF, IFAM, REMA e EMBRAPA.

O produtor rural Cássio Pereira da Rocha, filho de um agricultor do Baixo Rio Negro, vai levar o aprendizado do curso para sua comunidade. “Vou começar a usar o método agroecológico e repassar para quem quiser conhecer”, disse.

Para Márcio Menezes, coordenador da REMA e um dos organizadores da capacitação, o curso foi ímpar, único e veio em um momento muito oportuno especialmente para os agricultores da APOAM e Rede Tucumã.

Segundo ele, existe uma demanda crescente por aves e ovos orgânicos pelos consumidores da feira orgânica de Manaus. “Com certeza o curso propiciou aos participantes elementos essenciais para o manejo da criação das aves, e, em especial, abordou um dos principais entraves do segmento, a formulação de ração alternativa utilizando ingredientes regionais e de base agroecológica.

Márcio ressaltou ainda que durante a atividade o grupo pôde conhecer uma fábrica em Presidente Figueiredo, onde a ração é produzida com sementes de açaí, amêndoa de tucumã, pupunha, macaxeira (folhas e raízes), jaca, fruta pão, dentre outros, o que reduz significativamente o custo da ração ao mesmo tempo em que aumenta sua qualidade em termos proteicos. “A ração para aves mais comum é produzida a base de soja e milho, que além de não serem produzidos na região, são oriundos de processos agrícolas químicos e que utilizam sementes transgênicas e que, portanto, não são permitidos na legislação brasileira que trata da criação orgânica de aves”, explicou.

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