Natura inaugura parque industrial no Pará

14 Mar, 2014

Natura inaugura parque industrial no Pará

Os grandes jardins, salpicados de flores curiosas, recebem os convidados que chegam a este condomínio, batizado como Ecoparque, em Benevides, no Pará. Trata-se da inauguração do complexo idealizado pela fabricante de cosméticos Natura, que possui um expansivo plano de desenvolvimento para a Amazônia.

Além da pretensão honesta de se tornar um exemplo de produção industrial sustentável no Brasil, a unidade tem outro propósito, este, economicamente mais prático, que é o de ficar próximo de seu principal ingrediente: as comunidades produtivas da floresta.

Cadeias produtivas amazônia natura

Mapa das Cadeias produtivas de fornecem para a Natura

Atualmente a Natura trabalha com 25 comunidades da Amazônia, com a aquisição de 14 ativos da biodiversidade, o que beneficia 2.571 famílias da região. Só em 2013, a empresa consumiu R$ 3,4 milhões em insumos das cadeias produtivas locais e dividiu outros R$ 4,3 milhões em benefícios.

Mas esse é só o começo. A empresa planeja investir aproximadamente R$ 1 bilhão, em até seis anos, na compra e desenvolvimento de pesquisas de insumos da floresta, aumentando em 19% o uso de produtos locais na composição de todas as suas linhas comerciais.

“Vamos iniciar, em parceria com a Natura, pesquisas para identificar as propriedades dos insumos disponíveis. Mas sabemos que a biodiversidade da Amazônia é grande e verdadeira, o potencial desses ativos no mercado internacional é imensurável”, acredita o Presidente Global da Symrise, Achim Daub. A fabricante alemã de óleos essenciais e fragrâncias é uma das maiores produtoras de baunilha do mundo, com experiência no desenvolvimento de cadeias sustentáveis em Madagascar, e será a primeira empresa a instalar uma unidade fabril no condomínio industrial de Benevides.

Ecoparque

Ecoparque

Escritórios de vidro favorecem a iluminação natural

Há 35 quilômetros de Belém, o parque industrial de 172 hectares ocupa uma imensa área rodeada de mata nativa, a beira da PA 391. 

Inaugurado na última quarta-feira (12/03), o Ecoparque tem espaço para sediar outras empresas interessadas em compor o polo industrial, onde a Natura ocupa apenas 10% da área. O plano é ser um empreendimento ecologicamente correto, que promova a “simbiose industrial” com empresas que tenham interesses em comum. “A ideia é criar uma operação verdadeiramente compartilhada, uma rede de cooperação, em que as indústrias instaladas em um mesmo espaço possam trocar recursos e articular alternativas conjuntas para fomentar a geração de negócios sustentáveis na região. Além de alavancar a demanda por insumos da sociobiodiversidade e o empreendedorismo local”, explica Alessandro Carlucci, diretor-presidente da Natura.

Ecoparque (1) (2)

O condomínio industrial ocupa uma área de 172 hectares

A nova unidade fabril da Natura na Amazônia inicia atividades com capacidade de produção de mais de 200 milhões de barras de sabonetes e cerca de 400 toneladas de óleos fixos. “O Ecoparque vai nos permitir abastecer o mercado brasileiro e internacional com produtos 100% fabricados na Amazônia”, ressalta Josie Perissinoto Romero, vice-presidente de Operações e Logística da empresa.

O conceito de sustentabilidade e respeito ao meio-ambiente está presente nas instalações e estruturas do empreendimento, que teve investimento de R$ 178 milhões. Foi utilizada a tecnologia de jardins filtrantes, um tratamento inovador de efluentes a partir de raízes de plantas. Em um processo de fitorrestauração, livre de produtos químicos, bactérias alojadas nas raízes de plantas aquáticas realizam a decomposição dos poluentes. Outra forma de poupar recursos ambientais foi a implantação de sistemas de geotermia, nos quais equipamentos captam o ar externo e promovem troca térmica no subsolo para diminuir a temperatura no interior dos edifícios. “Também reutilizamos água da chuva e fazemos aproveitamento da ventilação e iluminação natural das instalações. Incentivamos o uso de bicicletas e disponibilizamos carros elétricos para facilitamos a mobilidade dos colaboradores e visitantes dentro do Ecoparque”, comenta João Paulo Ferreira, vice-presidente Comercial e de Sustentabilidade da Natura.

Para o fundador do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e um dos membros do conselho consultivo do Programa Amazônia da Natura, Claudio Pádua, a iniciativa é inovadora e trará novas perspectivas para o desenvolvimento de cadeias produtivas na região.

“A ideia aqui é servir de epicentro para uma nova filosofia industrial, em que as comunidades fazem parte dos processos produtivos, das cadeias. Isso é fantástico. É preciso criar uma nova economia, a produção tem que ser como a que a Natura está construindo aqui. Que envolva as comunidades, que envolva a formação de comunidades, o uso dos produtos da floresta e que permitem que a floresta fique em pé, com a geração de um valro econômico comparável com a economia tradicional, que destrói a natureza”, disse Claudio, que esteve na inauguração do empreendimento.

De acordo com porta-vozes da Natura, este novo passo do Programa Amazônia fomentará a produção comunitária da região. A expectativa da empresa é que, até 2020, o número de famílias fornecedoras passe dos atuais 2.571, para 10 mil.

 

 Por Rosana Villar/!Bnn

Related Posts

Share This

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>