Para fortalecer agrobiodiversidade, agricultores da margem esquerda fundam a Rede Tucumã do Rio Negro

9 Aug, 2014

Para fortalecer agrobiodiversidade, agricultores da margem esquerda fundam a Rede Tucumã do Rio Negro

Para fortalecer a cadeia produtiva da agrobiodiversidade na região, foi criada a Rede Tucumã do Rio Negro – Associação dos Agricultores da Margem Esquerda do Baixo Rio Negro, com apoio do IPÊ, após um encontro com 30 produtores das comunidades que aprovaram o estatuto da nova organização e realizaram uma eleição para ocupação dos cargos.  A fundação e definição de cargos se deram no dia 4 de agosto na área do igarapé do Jaraqui.

O tucumã do Rio Negro é um fruto bastante conhecido e valorizado pela qualidade não só pelos moradores locais, como também pela população de Manaus, além de ocorrer em abundância na região. A homenagem ao fruto pela associação foi pensada como uma forma de valorizar a identidade local e fortalecer a rede de agricultores.

A associação envolverá agricultores de toda a margem esquerda do Baixo Rio Negro e tem como principal objetivo fortalecer a produção e comercialização de produtos da agrobiodiversidade local.

30 agricultores participaram da fundação da associação. Foto: IPÊ

30 agricultores participaram da fundação da associação. Foto: IPÊ

Eleito o presidente da associação, o agricultor José Coelho, conhecido na região como ‘Coloral’, destacou que a partir de agora o objetivo é trabalhar para atender as demandas dos produtores. “A associação vai nos ajudar em vários pontos, mas para isso precisamos trabalhar juntos e entender as necessidades de cada agricultor. A principal demanda é resolver os desafios da comercialização. Só assim cada família vai ter ganhos maiores”, destacou José.

A criação foi demandada após uma série de reuniões e oficinas realizadas no âmbito do projeto Eco-Polos Amazônia XXI. O amadurecimento para a formalização da associação veio após a Oficina Devolutiva dos resultados do levantamento da cadeia produtiva da Agricultura, realizada no final de maio. Com base na apresentação do diagnóstico apresentado pelo consultor Márcio Menezes, os participantes perceberam o enorme potencial de volume de produção existente e as diversas possibilidades de comercialização com valores mais atrativos do que os que normalmente são praticados.

Em paralelo a formalização da associação, o grupo elaborou um plano de ação, que já está sendo implementado, como a participação na feira orgânica para a venda direta, o transporte fluvial para escoamento da produção, a elaboração de um contrato com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da CONAB e a elaboração participativa de um calendário de produção, com informações sobre os períodos de safras das frutas e quantidade de produção por comunidade para facilitar o planejamento da comercialização.

Produção

O levantamento realizado pelo consultor Márcio Menezes envolveu oficinas nas 29 comunidades contempladas pelo Projeto Eco-Polos Amazônia XXI, onde foram entrevistadas 207 famílias, representando 15% da população da região. Além disso, foi realizada uma pesquisa de mercado para avaliar a receptividade dos produtos da região no comércio local e os valores de comercialização.

Destacamos alguns dados levantados do volume de produção (incluindo o que foi desperdiçado):

Açaí: 55 toneladas

Buriti: 46 toneladas

Cupuaçu: 45 toneladas

Macaxeira: 20 toneladas

Farinha: 60 toneladas

Tucumã: 800 mil unidades

A comercialização de frutas envolveu 128 operações comerciais, destas 57 foram nas comunidades, 23 em Manaus, 22 no recreio, 11 em Novo Airão, 6 para turistas/médicos e também para grupos de mulheres, e 3 para agroindústria Nossa Senhora de Fátima.

O número de áreas de roçado levantado nas entrevistas foi 261 e 155 famílias (75%) têm roçado. Destas, 18 produziram farinha somente para consumo e apenas 69 comercializaram. Ainda assim, o montante de farinha comercializado é relativamente baixo, concentrando-se em até 500 kg produzidos por família (32). Produziram entre 500 e 1.000 kg 20 famílias, entre 1.000 e 2.500 foram 14 e somente três produziu 5.000 kg ou mais.

A comercialização da farinha envolveu 79 operações comerciais, destas 57 aconteceram nas comunidades, 16 em Manaus, 3 em Novo Airão e 3 no recreio.

 

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  1. Semana dos Alimentos Orgânicos | blogecopolos - […] riqueza e diversidade da agrobiodiversidade amazônica não é valorizada e vem sendo desperdiçada pela ausência de ações voltadas à …

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