Profissionais do IPÊ conhecem o Baixo Rio Negro e visitam comunidades durante encontro da instituição

3 Sep, 2014

Profissionais do IPÊ conhecem o Baixo Rio Negro e visitam comunidades durante encontro da instituição

A cada três meses, profissionais do IPÊ atuantes em várias partes do Brasil encontram-se para uma reunião institucional. O local escolhido para o mais recente encontro foi o Baixo Rio Negro (AM), onde a equipe do Instituto realiza atualmente o projeto “Eco-Polos Amazônia XXI”. Entre os dias 25 e 27 de agosto, eles conheceram de perto todas as iniciativas da equipe do Instituto na Amazônia, inclusive  as atividades realizadas com as comunidades, como o Turismo de Base Comunitária, as ações de agroecologia e de geração de renda, tudo isso, a bordo do Maíra I, barco do Instituto.

“Fazia muito tempo que planejávamos realizar este encontro com todos os nossos profissionais e dar a oportunidade para que eles conhecessem de perto todo o trabalho que o IPÊ realiza na Amazônia há mais de 13 anos. Estamos bastante motivados com as ações realizadas aqui”, afirma Eduardo Ditt, secretário executivo do IPÊ.

Os visitantes assistiram a palestras sobre a evolução do projeto Eco-Polos na região, financiado pelo Fundo Vale, que trabalha com 29 comunidades do Baixo Rio Negro, em busca do desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis. Foram apresentados os dados sobre as oficinas realizadas em 2013 para a descrição das principais cadeias produtivas locais, bem como sobre os levantamentos a respeito da agricultura, do turismo e do artesanato.

Comunitários participantes dos projetos do IPÊ também estiveram presentes, como o sr. José Aldari Coelho (seu Colorau), que converteu a sua produção para o Sistema Agroflorestal, com apoio e orientação do IPÊ e hoje vê as vantagens do processo. “Eu agora falo para os meus vizinhos e as pessoas que eu conheço sobre esse novo jeito de fazer as coisas, de plantar sem queimar a terra. Alguns acreditam que dá certo, outros não. Mas para mim é bom, porque não gasto tanto tempo roçando quanto na época que eu colocava fogo”, disse.

Os Sistemas Agroflorestais foram vistos de perto pelos visitantes na propriedade de Maria de Jesus Paschoal, na comunidade de São Sebastião, no rio Cuieiras. Junto com o marido e o filho, Maria também optou por deixar de fazer a queima no seu terreno e plantar no sistema abafado. O filho de Maria, Mauricio, concorda com o seu Colorau quando o assunto é o tempo gasto no trabalho. “A grande vantagem, é que gastamos metade do tempo roçando e temos resultados ainda melhores, sem desgastar a terra”, contou aos presentes.

 

Profissionais do IPÊ conheceram trabalho do Instituto no Baixo Rio Negro durante 3 dias. Foto: IPÊ

Profissionais do IPÊ conheceram trabalho do Instituto no Baixo Rio Negro durante 3 dias. Foto: IPÊ

Visitas

Como parte das atividades da semana, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer de perto duas comunidades e ainda fazerem uma trilha na mata. As visitas seguiram alguns passeios sugeridos no Roteiro Tucorin – Turismo Comunitário do Rio Negro. Em Nova Esperança, o almoço ficou por conta da comunidade que hoje recebe turistas e está se aperfeiçoando na atividade, por meio de oficinas e capacitações realizadas em conjunto com o IPÊ. Ali, o destaque fica por conta do artesanato, atividade importante e que tem dado visibilidade aos artesãos, em feiras e mostras em outras cidades. O artesanato de Nova Esperança ficou a venda na feira Design da Mata, em São Paulo, no ano passado, e também no Shopping Manaus, no período da Copa do Mundo, este ano.

Em São Sebastião, além do plantio em SAFs, foi possível provar os doces, biscoitos, geleias e demais produtos feitos pelo Clube de Mães, um grupo de mulheres que utiliza frutos da biodiversidade local para fazer produtos culinários. Ao longo deste ano e do ano passado, as mulheres receberam visitas de famosos chefs de cozinha, como Felipe Schaedler e o confeiteiro Daniel Briand. Ambos, fizeram oficinas ensinando novas receitas ao grupo. Como resultado, novos produtos foram criados, como o cookie de castanha com chocolate, e outras receitas incorporadas ao cardápio do almoço, servido àqueles que fazem o roteiro Tucorin. Os produtos do grupo também estão disponíveis para vendas em feiras.

Para fechar a visita, os profissionais do IPÊ fizeram uma trilha na mata em Bela Vista do Jaraqui, com o sr Manoel e o seu filho Marcio, que já realizam a atividade há vários anos na região. Marcio aprendeu com o pai a ser guia e vem aperfeiçoando os conhecimentos sobre a atividade em oficinas do IPÊ. “Desde criança saía com o meu pai e andava por todas essas matas, daí tomei gosto pela atividade. Hoje, minha ideia é transformar toda a minha área em local pra trilha e aumentar ainda mais o espaço para as visitas”, conta ele, que além de guia, trabalha como funcionário público. Marcio conta que com as orientações dos cursos de guia turístico, mudou um pouco o jeito de fazer a atividade. “Antes, para mostrar ao turista que um cipó era d’água, por exemplo, a gente cortava ele. Mas hoje não fazemos mais isso porque não tem necessidade e explicamos isso para as pessoas”, contou, durante a caminhada.

 

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