Roteiro Tucorin gera renda a comunidades do Baixo Rio Negro

10 Jun, 2014

Roteiro Tucorin gera renda a comunidades do Baixo Rio Negro

Gerar renda por meio do turismo de base comunitária e promover experiências turísticas sustentáveis são apenas dois dos objetivos do Roteiro de Turismo Comunitário no Rio Negro (Tucorin), que tem beneficiado seis comunidades do Baixo Rio Negro localizadas dentro de Unidades de Conservação.  Entre elas estão as comunidades que recebem o trabalho do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas: São Sebastião, Bela Vista do Jaraqui e Nova Esperança que hoje podem oferecer desde a comida regional a passeios e hospedagens aos turistas que visitam a região.

O trabalho desenvolvido nas comunidades pelo IPÊ, por meio do projeto Eco-Polos Amazônia XXI e da ONG Nymuendaju, que atua na São João do Tupé, Colônia Central e Julião, e também fazem parte do Roteiro Tucorin, já traz resultados perceptíveis quanto a qualidade na manipulação de alimentos, atendimento ao cliente e de apresentação dos produtos. Com a melhoria dos processos  e a integração das cadeias produtivas, houve reflexo também no desempenho econômico das comunidades. Entre o junho de 2012 e julho de 2013, a arrecadação dos grupos indicados pela Central de Turismos Comunitário da Amazônia foi de R$ 20,3 mil, segundo levantamento realizado pela pesquisadora Nailza Pereira, do IPÊ.

Para divulgar e oferecer o roteiro como uma opção para os turistas que visitarão Manaus durante a Copa do Mundo, o IPÊ e a ONG Nymuendaju, em parceria com as instituições membros do Fórum de turismo de base comunitária do baixo Rio Negro, realizaram uma expedição que contou com a presença de 46 pessoas no dia 30 de maio. Entre o grupo de visitantes, estiveram representantes da imprensa, de instituições gestoras de meio ambiente e turismo, além do Sindicato de Guias de Turismo do Amazonas, da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV-AM) e operadores de barcos de turismo.

Segundo Nailza Pereira, responsável pelo Projeto de Turismo com Base Comunitária do IPÊ, a realidade das comunidades tem mudado bastante com o trabalho desenvolvido pelo instituto. “Nós não implantamos o turismo aqui. Eles já praticavam a atividade, mas quando começamos a trabalhar vimos que existia uma necessidade de qualificação, por exemplo. Com o tempo fomos mostrando que a qualificação é  melhor alternativa para que o projeto dê certo”, contou.

Quem participou da atividade, como a presidente da ABAV-AM, Maria Helena Fônseca, se sentiu satisfeita com o que foi encontrado. Para ela, a melhoria nos serviços oferecidos pelas comunidades é o diferencial. “Nós vemos que houve um avanço e hoje, sinceramente, essa região tem potencial para muitas coisas e principalmente para o turismo”.

Para Mariel Helena, as comunidades ainda têm muito a melhorar, no entanto, o passo mais importante já foi dado, que é a vontade de cada morador da comunidade em crescer dentro do turismo de base comunitária. “Hoje nós vemos que as pessoas querem aprender como lidar com o turista, querem trabalhar nisso e isso era o que faltava”, pontuou.

O grupo  foi formado por jornalistas e representantes de entidades do meio ambiente e turismo. Foto: IPÊ

O grupo foi formado por jornalistas e representantes de entidades do meio ambiente e turismo. Foto: IPÊ

Comunidade São Sebastião

A primeira parada foi na Comunidade São Sebatião, no Rio Cuieiras, onde o Clube de Mães Maria de Nazaré pôde mostrar um pouco do seu potencial com a culinária. Lá, as mulheres trabalham com café da manhã, almoços e também na produção de geleias e bombons de chocolate.

O café da manhã, típico da região, foi todo preparado pelas mulheres. Uma das integrantes do grupo,  Maria Inês Vieira dos Santos, 46, disse que a oportunidade de colocar em prática o que elas aprenderam em outros momentos com o IPÊ e seus parceiros é o contato com os turistas. “Há algum tempo nós temos nos preparado, temos oficinas com especialistas na cozinha que estão aqui para nos ajudar e quando podemos oferecer o que nós aprendemos é ótimo. Assim, quando vemos que as pessoas vão embora satisfeitas, sentimos que estamos indo no caminho certo”, disse.

Atualmente o grupo conta com 6 mulheres que complementam a renda das famílias da com o trabalho no Clube.

Clube de Mães ofereceu o café da manhã regional. Foto: IPÊ

Clube de Mães ofereceu o café da manhã regional. Foto: IPÊ

Comunidade Nova Esperança

Conhecida pelo trabalho de seus artesãos indígenas da etnia Baré, a Comunidade Nova Esperança, no Rio Cuieiras, também mostrou seu potencial tanto para o artesanato quanto para a culinária. Lá, o artesanato é a principal fonte de renda da comunidade. Hoje, com a ajuda do IPÊ, o grupo já tem uma suíte que pode receber hóspedes e se prepara para expandir o negócio.

Um redário com capacidade para 20 pessoas e um restaurante estão sendo construído pelos próprios moradores do local com a ajuda do IPÊ. “Essa construção vai nos deixar ainda mais fortes para receber quem quiser conhecer o nosso modo de vida aqui. Nós podemos oferecer a comida e também mostrar como produzimos nossos artesanatos e nossa farinha”, ressaltou a Cacique Rosemary Garrido Melo.

A feira de artesanato promovida na própria comunidade também encanta quem chega para a visita. Quem opta por fazer esse roteiro também pode participar de uma oficina de artesanato e conhecer um pouco sobre os segredos para a produção de belos produtos. Além disso, a comunidade também oferece a experiência da farinhada, onde o turista tem a oportunidade de conhecer como é feita a farinha consumida e vendida por alguns dos moradores.

Artesanato é a principal fonte de renda da Comunidade Nova Esperança. Foto: IPÊ

Artesanato é a principal fonte de renda da Comunidade Nova Esperança. Foto: IPÊ

Comunidade Bela Vista do Jaraqui

Na Comunidade Bela Vista do Jaraqui, a aventura em trilhas pela mata é a principal atração. Há 44 anos, Manoel Gomes Ferreira, 57, encanta os turistas com a trilha que ele oferece. “O mundo todo me conhece pelo serviço que eu tenho feito. Eu sei que a comunidade atrai as pessoas por causa do bom trabalho que nós fazemos e queremos continuar fazendo isso”, disse. A trilha pode ser feita em grupo e tem acampamento com capacidade para 40 pessoas dentro da floresta.

Lá, a comunidade pode oferecer hospedagem, a focagem do jacaré, o passeio de canoa pelos igapós na cheia do Rio Negro, entre outras coisas. “Quem escolhe é o turista. Eu tenho que oferecer e a pessoa decide o que fazer que nós vamos fazer com muito gosto”.

RDS do Tupé

As comunidades do Julião, São João do Tupé e Colônia, fazem parte da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro. A visita também contemplou esse trecho do Roteiro Tucorin, onde a ONG Nymuendaju atua. Nelas, o turista pode encontrar passeios em trilhas, canoagem, projetos sustentáveis, banhos de rio e outras atrações.

Na Comunidade São João do Tupé, por exemplo, o visitante pode assistir um ritual indígena durante o percurso.

Orçamentos e outras informações sobre o Roteiro Tucorin podem ser obtidos por meio do site da Central de Turismo Comunitário da Amazônia.

 

 

Texto: Lívia Anselmo | Assessoria 

0 Comments

Trackbacks/Pingbacks

  1. Plano de Negócios do Roteiro Tucorin é finalizado | blogecopolos - […] Conheça do Roteiro Tucorin […]
  2. Roteiro Tucorin recebe expedição | blogecopolos - […] Saiba mais sobre o roteiro […]

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>