Senac realiza oficina de amanhar peixe em parceria com IPÊ

25 Nov, 2014

Senac realiza oficina de amanhar peixe em parceria com IPÊ

No intuito do aprimoramento dos serviços e produtos alimentícios das Comunidades do Baixo Rio Negro, o IPÊ organizou, em parceria com o Serviço Nacional da Aprendizagem Comercial (Senac), uma oficina para ensinar a técnica de amanhar (tratar, tirar espinha, preparar filé) peixe,  que aconteceu no último dia 20 de novembro. Esta é a segunda oficina realizada pelo Centro de Turismo e Hospitalidade – CTH do Senac, a primeira oficina tratou sobre as boas práticas na manipulação de alimentos.

A atividade foi realizada na base da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé e contou também com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAS). Cerca de 30 pessoas que fornecem alimentação para visitantes do Roteiro Tucorin, das comunidades São Sebastião, Bela Vista do Jaraqui, Três Unidos, Nova Esperança, Julião, São João do Tupé e Colônia Central, participaram da oficina.

Os docentes dos cursos profissionalizantes do Senac, Williana da Silva e Michel Brito, foram os responsáveis por conduzir a oficina. Espécies como tambaqui, matrinxã, jaraqui e tucunaré, pescados pelos próprios comunitários, foram as peças utilizadas na oficina, que focou no ensino da técnica de retirar a espinha do peixe.

Segundo a pesquisadora do IPÊ, Nailza Pereira, a necessidade da oficina se manifestou durante visitas às comunidades. “Sempre que nós falávamos em melhorias na alimentação do visitante eles apresentavam essa vontade de aprender a tirar a espinha”, lembra.

Para Michel, ao aprender a técnica e aperfeiçoar em casa, os ribeirinhos podem inovar nos pratos e assim melhorar os serviços e produtos oferecidos pelos empreendimentos. “Pra quem vive aqui é fácil tirar a espinha, mas os turistas e visitantes não possuem a prática e precisam de auxílio muitas vezes. Servir pronto pra consumo a essas pessoas é uma atração e pode agregar valor ao produto”, destacou.

Além disso, Michel e Williana falaram sobre a necessidade de valorizar os produtos locais na gastronomia. “Utilizar frutas e legumes que eles têm de maneira acessível dá um leque de variedades a eles”, disse Williana.

Durante o dia, além de mostrarem as técnicas de amanhar, os professores também prepararam o almoço, feito com uma diversidade de produtos da agrobiodiversidade local cultivados nos terrenos das comunidades ribeirinhas. Escondidinho de matrinxã desfiada com cará roxo, arroz com cubiu, tambaqui salmorado assado de forno, farofa de guelra e ova de jaraqui, farofa de pele de matrinxã com abacaxi e matrinxã assado foram os pratos ensinados.

Aprendizado

A vontade de aprender foi o que mobilizou os moradores. Na Comunidade Colônia Central, Ana Maria Batista, 64, sempre trabalhou fornecendo alimentação e o peixe, comida típica, é o mais solicitado. Para ela, a possibilidade de aprender com profissionais qualificados foi o que mais chamou a atenção. “Quem nos visita sempre quer peixe, só que muitas vezes eles se limitam por não saber catar espinha. E agora, depois de praticar bastante em casa, poderemos oferecer pratos que farão a diferença”, contou.

Compartilhando do mesmo desejo, Álvaro Barros, mais conhecido como ‘Barú’, da Comunidade Julião, também participou da atividade. Segundo ele, o objetivo agora é trabalhar no aperfeiçoamento. “A oficina serviu pra nós darmos o ponta pé inicial. Agora precisamos aproveitar esse conhecimento adquirido”.

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