Viagem celebra resultados do projeto Eco-Polos Amazônia XXI

20 Aug, 2015

Viagem celebra resultados do projeto Eco-Polos Amazônia XXI

O IPÊ realizou nos dias 6 e 7 de agosto uma viagem com convidados para celebrar os resultados do projeto “Eco-Polos Amazônia XXI”, realizado no Baixo Rio Negro desde 2012 com apoio do Fundo Vale. Cerca de 100 pessoas, entre comunitários e representantes de 20 instituições, participaram dos dois dias de evento, que contou com visitas às comunidades beneficiadas pelo trabalho do Instituto, que tem como principal objetivo fortalecer cadeias produtivas sustentáveis na região.

Na ocasião, foram inaugurados o restaurante da comunidade Nova Esperança e a sede da associação de agricultores Rede Tucumã do Rio Negro, na comunidade Pagodão. Ambos, resultados de articulações com parceiros locais e apoio técnico do IPÊ.

O restaurante é uma conquista da comunidade que aposta no Turismo de Base Comunitária (TBC) como fonte de recursos e de desenvolvimento local. Os trabalhos de TBC proporcionam diversas atividades contínuas de capacitação, que alcançam da comunidade ao trade turístico. Já a associação é fruto de um levantamento do IPÊ sobre as potencialidades dos produtos da agrobiodiversidade local nas 29 comunidades. Após identificar a potencialidade de produção e comercialização de uma grande diversidade de produtos existentes, os agricultores decidiram formar uma associação para organizar e fortalecer a produção agroecológica e facilitar a venda, ampliando a renda das famílias.

Além da sede e do restaurante, representantes de instituições parceiras do IPÊ na região visitaram uma área de Sistemas Agroflorestais (SAFs), implementada com apoio técnico do Instituto. O objetivo desse sistema é desenvolver uma agricultura de baixo impacto ambiental, que traga benefícios como a conservação do solo e da biodiversidade, o aumento da diversidade de espécies cultivadas e da capacidade produtiva e, ainda, a diminuição do trabalho do agricultor.

Para encerrar os dias de visita, o IPÊ promoveu um seminário apresentando resultados do projeto. Para a representante do Fundo Vale, Gabriela Ataide, os resultados positivos estão bastante relacionados com o envolvimento da comunidade. “Foi minha primeira visita às comunidades do Baixo Rio Negro.

Vi o quanto são protagonistas e têm orgulho da região que vivem. Logo, fiquei muito feliz e surpresa com os relatos dos comunitários e impacto local. Fiquei impressionada com  a mobilização dos comunitários para tudo dar certo. Nesse momento, entendemos que o projeto não é para o Fundo Vale ou para o IPÊ, e sim para o território”, comenta.

Resultados

Ao longo de três anos, o IPÊ promoveu ações com 29 comunidades da região do

Aprender a tirar espinha de peixe era um desejo dos moradores das comunidades que trabalham com alimentação. Foto: IPÊ

Aprender a tirar espinha de peixe era um desejo dos moradores das comunidades que trabalham com alimentação. Foto: IPÊ

Baixo Rio Negro, envolvendo seis Unidades de Conservação. Ao todo, em torno de 800 famílias participaram de atividades para fortalecimento das cadeias produtivas de maior destaque na região: artesanato, agrobiodiversidade e turismo.

Ao todo, foram catalogados 270 produtos artesanais e 62 produtos da agrobiodiversidade. Os números foram importantes para determinar as potencialidades das comunidades e desenvolver estratégias para comercialização dos produtos e serviços das cadeias produtivas. Dentre as principais delas, destacam-se a articulação com instituições públicas para emissão de documentação para agricultores familiares e artesãos, visando o acesso a políticas públicas voltadas a estes públicos, capacitações e assessoria às associações e empreendimentos, e implementação de infraestrutura para a realização das atividades produtivas e de TBC.

Com apoio do Instituto e parceiros, 144 pessoas conseguiram obter carteiras profissionais de artesão e formalizar o seu trabalho, ampliando sua capacidade de venda em diversos locais. Além disso, mais de 200 carteiras do produtor e 100 DAPs foram obtidas.

Levar conhecimento sobre sustentabilidade nas cadeias produtivas também foi uma das abordagens deste trabalho. Ao todo, 20 oficinas de capacitação foram realizadas, que abordaram gestão, associativismo e empreendedorismo; boas práticas, culinária e produção sustentável; aprimoramento e diversificação de produtos e serviços, e comercialização. Este processo de formação envolveu aulas com profissionais que se destacam no mercado, como o confeiteiro Daniel Briand e o chef Felipe Schaedler, em oficinas de culinária para as mulheres do Clube de Mães e de outros empreendimentos da região; e o especialista Ernst Götsch em um curso sobre implantação e manejo de SAFs; além de diversos cursos em parceria com o Sebrae, Senac, Rede Maniva de Agroecologia e outros parceiros.

Além das capacitações, os intercâmbios e trocas de experiência entre comunidades da Amazônia foi importante no fortalecimento das cadeias produtivas e empreendimentos. Outra ação de destaque foi uma experiência de desidratação de frutas da região, realizada em parceria com o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que estimulou o investimento do projeto nesta produção.

“Esse projeto foi um grande avanço na atuação do IPÊ, pois ampliamos nosso trabalho para mais comunidades em um processo de construção participativo com comunidades e parceiros – fundamentais no processo. Além de aumentar o número de pessoas beneficiadas, demos um passo importante com infraestrutura para a produção, o que fez toda a diferença na implementação dos projetos na prática”, afirma Mariana Semeghini, coordenadora de projetos do IPÊ.

Investimentos em infraestrutura

Restaurante da comunidade Nova Esperança

Restaurante da comunidade Nova Esperança

Para consolidar o fortalecimento as cadeias produtivas e do turismo, o projeto realizou importantes investimentos em infraestrutura. A sede da Rede Tucumã, por exemplo, contempla uma cozinha de beneficiamento de frutas, com equipamentos para a produção polpas,frutas desidratadas e doces, além de um espaço para reuniões, um escritório da associação e cozinha para refeições. Um barco para o escoamento da produção foi adquirido e reformado para a Rede, com apoio do Fundo Vale e Brazil Foundation.

Outro exemplo aconteceu na comunidade Agrovila, para a implantação de um centro de beneficiamento de sementes para o artesanato. A partir do estudo da cadeia do artesanato no território, constatou-se a demanda por incluir um centro que beneficiasse as sementes diante da intensa produção de artesanato. A comunidade executou a contrapartida de investimento em um local, a compra de furadeiras-de-bancada e de máquinas de polimento. O projeto, além de executar o acompanhamento técnico e de viabilidade econômica, investiu em duas estufas de secagem, garantindo maior qualidade ao produto que antes era comprado em Manaus.

“A Agrovila me chamou atenção pela liderança e empreendedorismo das pessoas envolvidas. Apesar de dificuldade logística e financeira, os comunitários a quem fui apresentada tinham o mínimo de gestão administrativa e até segurança operacional para conduzir o negócio”, completa Gabriela Ataide.

O projeto contribuiu também com máquinas, equipamentos e infraestrutura para um galpão de artesanato na comunidade Aruaú, próxima ao município de Novo Airão. O local, hoje, tem potencial para também se tornar um centro-cultural, utilizado por crianças e adolescentes.

“Tais investimentos são importantes pois trazem os jovens para atividades sustentáveis e que prezam pela sua inclusão social, além de desestimular a atividade madeireira ilegal no local”, diz o pesquisador do IPÊ Luiz Filho.

* Conheça os principais marcos do projeto Eco-Polos Amazônia XXI

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